Biden está deportando refugiados do Haiti?

Ao longo das últimas semanas, a crise migratória nos EUA tornou-se polêmica ao redor do globo. Ainda mais, as condições precárias dos imigrantes nas fronteiras geraram revoltas.

Nesse sentido, com um fluxo marcado pela presença de haitianos, observa-se uma intensa ação de deportação por parte do governo estadunidense. Ou seja, tudo isso se relaciona com a política de Biden com os refugiados do Haiti.

Por isso, no texto de hoje, o BE aborda:

  1. O contexto das deportações nos EUA;
  2. O cenário do Haiti e;
  3. A política de migrantes no governo Biden, e como ele está lidando com o caso do Haiti.

A crise migratória nos EUA

A priori, observando o perfil migratório nos Estados Unidos, pode-se afirmar que até dez anos atrás o maior número de imigrantes partia do México.

Já em um cenário de 8 a 5 anos para cá, a América Central ganhou relevância, com o foco em El Salvador, Honduras e Guatemala. Ainda mais, notou-se a crescente presença de imigrantes brasileiros.

Nesse contexto, desde outubro de 2020, mais de 1,5 milhão de pessoas se arriscaram na tentativa de cruzar a fronteira dos EUA de maneira ilegal.

Com essa demanda suprimida, uma vez que houve a combinação de políticas para a restrição de imigrantes com políticas de saúde pública (por conta da pandemia do Covid-19), a crise migratória no país tornou-se ainda mais profunda no ano de 2021.

Desse modo, ao longo do mês de setembro, cerca de 14 mil imigrantes haitianos estiveram acampados debaixo de uma ponte, na cidade de Del Rio, no Texas (EUA).

Este fluxo de imigrantes alcançou o território estadunidense por meio do município de Ciudad Acuña, no México.

Como efeito, os EUA deportaram, em larga escala, os haitianos detidos por falta de uma documentação legal.

As polêmicas em torno das deportações

Antes de tudo, vale notar que imagens fortes estamparam matérias dos principais canais de notícia no último mês. Em especial, a foto na qual mostra um membro da Patrulha de Fronteira abordando, à cavalo, dois imigrantes.

Ao que tudo indica, o indivíduo manuseava um chicote em direção aos haitianos.

Para além disso, a renúncia de Daniel Foote, enviado especial dos EUA para o Haiti, chamou uma maior atenção para a situação.

Após dois meses de atuação no Haiti, Foote alega que a população do país “não pode suportar o fluxo forçado de milhares de migrantes – que retornam sem comida, abrigo e dinheiro – sem provocar uma tragédia humana adicional, que poderia ser evitada”.

Dessa forma, na carta em que denuncia as ações dos EUA, Foote também expõe a condição de diplomatas estadunidenses no Haiti.

“Estão confinados em instalações de segurança devido aos perigos representados pelos grupos armados que controlam a vida diária”.

Por fim, ressalta que essas deportações irão “aumentar ainda mais o desespero e o crime” em um Haiti “atolado na pobreza e refém do terror”.

O contexto do Haiti

Em primeiro lugar, deve-se lembrar que o intenso fluxo migratório de haitianos ocorre desde o devastador terremoto de 2010, que provocou quase 200 mil mortes.

A partir daí, o povo dessa nação ocupou diversos territórios da América do Sul, como Chile e Brasil. Contudo, grande parte desses imigrantes não conseguiram a condição de refugiado, a qual garante proteção e condições especiais no país de asilo.

Assim, com problemas para se integrar à sociedade, além da falta de emprego, seguir para a América do Norte tornou-se uma opção.

Ou seja, o total de haitianos na fronteira dos EUA hoje não é apenas por conta da conjuntura atual do país, mas por conta de fatores históricos e contínuos.

Mesmo assim, o contexto importa. Em julho de 2021 o presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado; e, no mês de agosto, o Haiti sofreu outro terremoto mortal.

  • O Boletim possui um texto no qual aborda a situação política do Haiti, após o atentado. Caso se interesse:

A gestão Biden

Em sua candidatura, Joe Biden defendeu uma abordagem mais “humana” e o cumprimento das obrigações humanitárias perante os imigrantes. Dessa forma, tinha como objetivo modificar a política de detenção de migrantes, assim como impedir a separação das crianças de seus pais.

Contudo, como este caso mostra, o governo continua a fretar voos para deportação, marca do governo Trump.

Diante disso, a maior ruptura entre os dois governos seria a política para menores desacompanhados: enquanto Trump os deportava, Biden não o faz. Por isso, nota-se o aumento do número de menores em centro de detenção nos EUA.

Em síntese, uma vez que a instabilidade que levou à fuga de haitianos ainda existe, os EUA arriscam repetir a situação ao deportá-los. Além disso, até mesmo agentes na administração de Biden são contra tal ação.

O governo do presidente está sob pressão, com apelos do Partido Democrata para que se conceda asilo aos haitianos ao invés de levá-los para o país de origem.

Por fim, apesar de possuir o discurso, em termos de implementação, Biden está mais próximo de Trump do que de constituir uma nova política de imigração.

Isto ressalta a percepção de que nenhum governo dos EUA terá fronteiras abertas, bem como políticas de repatriação. Na verdade, até agora, parecem optar sempre por medidas rápidas de deportação.

E aí, o que você pensa sobre o assunto? Você conhecia a política de Biden para os refugiados do Haiti? Nos deixe sua opinião e envie para os amigos.

Obrigada e até a próxima!

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