A importância do Golfo de Omã

Ao vasculhar pela nossa famosa internet, é possível encontrar vários sites informando sobre o Golfo de Omã. Mas achar fontes confiáveis para tratar o assunto foi um desafio. Me acompanhe nessa tour.

Talvez a primeira coisa que você possa pensar ao ouvir falar do Golfo de Omã seja o economia ligada ao petróleo. Mas qual a razão dessa ênfase? Afinal, pode-se falar na presença de uma visão estereotipada em relação aos grupos que ocupam a região?

Acesso em: 23 nov. 2021.

O conceito de Representação

É possível que você tenha visto vários desenhos, filmes, imagens que mostrassem o Oriente Médio. No entanto, quero chamar atenção aqui, para certos tipos de representação. Essa última palavra é um conceito!

Em suma, Almicar Bezerra e José Ribas escrevem sobre o tema! Em seu artigo eles apontam sobre como uma determinada personagem de um jogo é representada. Mas para fazer essa análise eles precisam primeiro dizer o que é a Representação!

Em suma, usando dessa fonte, é possível entender a representação como a maneira que alguém “mostra” alguma coisa. Assim, quando você vê um desenho representando os povos do Oriente Médio como “homens bomba”, isso não é algo inocente. Alguém produz esse tipo de mensagem, seja ela perceptível ou “escondida”. Como todo historiador em formação sabe, não existe neutralidade. O que pode acontecer é o não dizer de uma intencionalidade.

Uma das maiores potências econômicas na atualidade é os EUA. A sua indústria cultural produz vários filmes, músicas, séries, entre outros.

Almicar Bezerra é doutor em Comunicação pela UFF e professor do Núcleo de Design da UFPE. Já José Ribas é Bacharel em Sistemas de Informação pela UPE e graduando em Design pela UFPE.

Juntos, os pesquisadores falam sobre como quem produz essas representações pode mostrar as suas visões em relação a alguma coisa. Por vezes, essa maneira de representar não é intencional. Já em outras situações, pode ter uma razão. Em alguns casos, os preconceitos daquele que produzem algum filme, série, desenho, por exemplo, aparecem.

O Oriente Médio sob o olhar dos estadunidenses

Em um determinado episódio dos Simpsons, uma famosa série de desenhos americana, os povos muçulmanos são apresentados como terroristas. A Folha S. Paulo noticiou essa polêmica! No mínimo, pode-se dizer que é um preconceito dos responsáveis pelo famoso desenho. Mas esse tipo de mensagem pode incentivar o ódio para com os grupos muçulmanos.

Acesso em: 23 nov. 2021.

Essa forma de representar os indivíduos do Oriente Médio, todos iguais e violentos é problemática. Talvez você pense que é apenas um desenho, mas quando as indústrias do cinema, música, jogos repetem esse mesmo tipo de representação, as coisas se complicam. Esse tipo de produção atinge o mundo todo! Todos nós possivelmente já vimos esse desenho, talvez sem saber o nome!

E uma mesma mensagem se repetindo por décadas em noticiários e outros meios de comunicação reforçam uma imagem. Aliás, reforçam uma imagem de que esses grupos são perigosos e que devem ser reprimidos, vistos como violentos.

Em síntese, de acordo com notícia da Forbes, os EUA é o maior produtor de armas do mundo. Além disso, se destaca quanto a venda desse produto. A reportagem é de 2018, mas nos oferece algumas pistas!

Curiosamente, essa nação depende, e muito, do petróleo. Ele é um recurso em abundância na área do Oriente Médio. Talvez seja interessante para os EUA, construir a imagem de uma região violenta e interferir na região. Ou seja, devido a interesses econômicos, interferir com outras “desculpas”.

Sendo um grande produtor de armas, a ideia de construir uma imagem estereotipada do Oriente Médio pode ser atrativa. Isso pois, se esses povos são agressivos, violentos, é possível justificar guerra com esses sujeitos. Isso poderia trazer mais venda de armas. Além da possibilidade de intervir no local onde é possível achar um recurso vital para uma das maiores potências do mundo.

Questionamentos

Talvez essas representações não sejam tão “sem intenção”, não é mesmo? Ou talvez, elas apenas mostrem os preconceitos que construímos ao longo do tempo.

Assim sendo, isso nos leva a refletir sobre o que sabemos sobre o Oriente Médio. Quais são os países que compõem a região? Qual a importância do Golfo de Omã? Quais as religiões locais? Quais as culturas, povos e línguas ali presentes? Como funciona a economia da região?

Talvez se boa parte das pessoas entendessem esses povos diversos em cultura, economia, religião, enquanto violentos, torna-se mais justificável atacá-los e persegui-los. Não se nega aqui a existência do terrorismo, violência e guerra, mas dizer que todos são iguais e irracionais, é uma intencionalidade. Representá-los com o estereótipo de “homens-bomba” pode ser interessante para os países que estão na busca pelo petróleo, não só os EUA.

E a indústria do entretenimento muito ligada aos EUA precisa sempre reforçar e construir essa imagem! Isso pois, dessa forma, tendo em vista que o mundo inteiro consome seus produtos culturais, a mensagem se torna mais forte e o mundo todo a recebe. Assim, a narrativa é de que se torna “aceitável” esse tipo de ação violenta contra os povos que residem na região. Isso não alimenta um ciclo vicioso?

É perverso, eu sei. Não seria melhor desenvolver economicamente em conjunto, sob cooperação?

O Golfo de Omã

Para quem pouco conhece a região do Golfo, “se liga”:

Acesso em: 23 nov. 2021.

Como é possível observar, é uma área de certa proximidade entre a África, Europa e Ásia. Pra aqueles com certa dificuldade de localização, observem que o Brasil está no canto inferior esquerdo do mapa.

São observados nos últimos anos, vários acidentes nas proximidades no Golfo de Omã e Estreito de Ormuz. Observe a imagem abaixo:

Acesso em: 23 nov. 2021.

Uma notícia no G1 traduz um pouco desses conflitos! Segue a chamada:

“Petroleiros são danificados no Golfo de Omã; EUA dizem que Irã ‘é responsável pelos ataques’

Preço do barril do petróleo subiu após relatos de ataques a embarcações. Irã chamou incidentes de ‘suspeitos’, já que recebia o premiê japonês para tentar reduzir tensão com os americanos.

Em suma, ao passo em que certos navios foram atacados no Golfo de Omã, alguns entraves começaram. De acordo com a fonte acima apontada, duas empresas relataram ataque dos seus navios. Atenção, essa reportagem relata um episódio que ocorreu a dois anos atrás.

Mesmo que uma das empresas acredite que seja um ataque, algo com intenção, isso não foi confirmado. No entanto, a notícia aponta que o Secretário do Estado americano, mesmo sem provas, acusou o Irã como culpado.

O “outro lado da moeda”

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã expôs um interessante argumento. Mohammad Zarif lembrou que o navio era japonês. Além disso, que o ataque ocorreu quando o primeiro ministro japonês foi à Washington. Curiosamente, se dirigiu aos Estados Unidos da América – EUA, justamente para resolver problemas. Segundo o G1, a delegação do Irã na Organização das Nações Unidas – ONU também negou a acusação dos EUA.

Uma pessoa ficou ferida. A equipe de busca do Irã levou os tripulantes para uma cidade também banhada pelo Golfo de Omã. Essa situação fez o valor do petróleo subir. Ainda de acordo com a fonte, quatro navios foram atingidos. No entanto, três deles eram petroleiros e foram atacados próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos.

Outros ataques são reportados na mesma notícia. Até mesmo a ministra do Exterior da França se posicionou em relação ao assunto. Para ela é vital uma resolução contida da situação. Além disso, frisou sobre a preservação do direito à livre navegação.

Por sua vez, a associação das embarcações Intertanko apontou preocupação em relação à segurança. As tripulações e navios que passam pelo Estreito de Ormuz, próximo ao Golfo de Omã, correm perigo.

O Estreito de Ormuz, Golfo de Omã e economia

O Estreito de Ormuz é estratégico. Segundo a reportagem, entre 20% e 30% do petróleo consumido pelo mundo todo, passa por ali. Ou seja, essa pequena passagem auxilia na distribuição daquilo produzido no Oriente Médio.

O risco de segurança devido a conflitos políticos, sociais e/ou religiosos podem afetar a distribuição do produto. Esse é um bom exemplo para pensar que economia, sociedade, política e cultura são pontos que se conectam. E mais do que isso, interferem entre si.

Ainda em 2019, segundo a BBC News, os EUA divulgaram um vídeo com supostas provas contra o Irã. A fonte frisa as acusações entre os países quanto à responsabilidade do ataque acima explicado.

Mas um interessante ponto explorado pela BBC é o crescimento desses conflitos. Para essa imprensa jornalística, esses entraves aumentaram após o presidente Trump assumir a presidência em 2017. Isso devido ao fato de que ele rompeu um acordo nuclear com o Irã. Mais precisamente, Obama havia intermediado o acordo. Contudo, Trump, que em vários momentos reforçou o discurso estereotipado antes explicado, apertou as sanções do Irã.

Em conclusão, o preço do petróleo subiu. Para além disso, uma sensação de insegurança se intensificou no local. O Golfo de Omã é uma importante rota marítima.

Acusações e política

O secretário de Estado dos EUA, diz que suas acusações são baseadas em investigação. Para ele, é intencional para o Irã gerar essa situação. Isso tornaria instável o transporte por meio do Estreito de Ormuz. Mike Pompeu se disse inclinado a levar o tópico para o Conselho de Segurança da ONU.

Ou seja, indo além da notícia, nota-se que se trata de um conflito que interfere na economia e política das nações. Em síntese, tendo em vista a utilidade do petróleo, é visível a causa de tanta mobilização.

A ONU e União Europeia dizem que essas disputas podem gerar novo confronto no Oriente Médio. Já Jeremy Hunt, secretário das Relações Exteriores, disse se sentir mais confiante na versão dos EUA.

Em oposição, o presidente do Irã acredita que os EUA significa uma ameaça. Mais precisamente, um perigo à paz no Oriente Médio. O ministro das Relações Exteriores do Irã alega que não existem provas para a acusação. Sendo, para os EUA, intencional acabar com a diplomacia local.

Forças locais

A análise de Frank Gardner, especialista em segurança da BBC diz que o vídeo divulgado pelos EUA fornece certas provas. Foi possível identificar as embarcações típicas do Irã. Elas são geralmente velozes, com minas e mísseis.

Para Gardner, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã costuma fazer ataques simulados e operações secretas. Como resultado, a veracidade do vídeo pode ser questionada por outros envolvidos.

Extrapolando as reportagens analisadas, é possível refletir sobre os problemas internos dentro dos países do Oriente Médio. Em conformidade, grupos terroristas e rebeldes locais podem utilizar de ataques para desestabilizar representantes que estejam no poder. Em síntese, tais ações interferem em questões globais.

Os EUA após declinar no acordo antes feito, colocou tropas reforçadas no Golfo. Em resumo, o Irã disse que deixaria de lado alguns dos compromissos do acordo. Tal situação piorou após quatro navios ser atingidos nos Emirados Árabes Unidos.

O Golfo de Omã em 2021

O R7 noticiou ainda nesse ano, sobre a presença de incidentes na área. São citados até mesmo barcos de outras bandeiras. Assim sendo, várias nações estão sendo atingidas pela insegurança. Pode se tornar um conflito envolvendo ainda mais países.

Por fim, tal ponto se reflete no produto final. Por assim dizer, o consumidor final sofre. Caso as embarcações tenham problemas, sejam necessários mais seguranças, mudanças de rotas, o preço final será modificado. Em síntese, a gasolina que você consome, caro leitor, é um derivado do petróleo!

Em conclusão, a Petrobras em seu site lista uma série de produtos que usam das indústria petroquímica!

“Existem produtos oriundos dessa indústria em roupas, colchões, embalagens para alimentos e medicamentos, brinquedos, móveis e eletrodomésticos, carros, aviões e até nos xampus e cosméticos” (PETROBRAS, 2014).

Sobretudo, a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira diz que o preço do petróleo contribui para a economia de Omã. Por assim dizer, não é cabível negar a relevância do petróleo na economia. Mas além disso, nem mesmo os ataques vindos de ambos os lados e os interesses ocultos.

Considerações Finais

Como resultado, é necessário romper esse “cabo de guerra”. Várias nações precisam trabalhar em conjunto na intenção de prosperar economicamente. Dessa maneira, narrativas e Representações que mostram os povos do Oriente Médio como inferiores e vilões precisam ser revistas.

Sob o mesmo ponto de vista, não é mais aceitável esse fogo cruzado e a alimentação desses estereótipos. Em vista disso, é importante debater sobre o assunto. Ao mesmo tempo, garantir a reflexão sobre o alto nível de combustíveis fósseis utilizados e a destruição do planeta.

Por conseguinte, saber mais sobre a cultura e diversidade local é um bom caminho! A historiadora em formação, Carina Bento, pode auxiliar no processo. Indico aqui o podcast: “Próxima Parada: Oriente Médio”.

Gostou da temática? Tem dúvidas, sugestões, perguntas? Comente abaixo!
Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anterior

Conheça o Polexit

Próximo

Conheça os tipos de empresa no Brasil