A crise energética na China e a dependência do carvão mineral

A economia chinesa é uma das que mais crescem ao nível mundial. Conforme as discussões sobre o clima, que têm cada vez mais destaque na pauta mundial, o chefe de governo da China, Xi Jinping, já fez a promessa de reduzir a emissão de carbono do país a zero, até 2060. Mas a China vem sofrendo com uma crise energética recente que pode dificultar a transição.

Quer entender como isso está ocorrendo, e quais são os principais fatores em jogo?

Vem com a gente.

A crise climática e a COP26

As mudanças climáticas, provocadas pelo aquecimento global, vem agravando a situação do mundo inteiro. Em resposta a isso, o mundo vem se reunindo para discutir propostas para se diminuir a emissão de poluentes na atmosfera, e adotar cada vez mais energias renováveis.

Por meio da COP26, os países vem fazendo acordos para reduzir o uso de poluentes como o gás natural, o petróleo e o carvão.

Além disso, o planeta passou por uma das piores pandemias de todos os tempos, que desacelerou o ritmo econômico do mundo inteiro. Por outro lado, o mundo vem se recuperando a partir da retomada das atividades econômicas.

Ou seja, a demanda por recursos energéticos, por produtos alimentícios e por matérias primas voltam a estar na lista de prioridade dos países.

China: O caso do carvão mineral

Correspondendo a mais de 50% do consumo de energia do país, o carvão mineral é o combustível mais importante para a China. Como é a principal fonte energética do país, sua produção depende do carvão para funcionar. Além das industrias, o consumo de energia doméstica depende das suas usinas termoelétricas a base de carvão.

Diante dos tratados firmados na COP26, o país se comprometeu a reduzir o uso do carvão e também do consumo de energia até 2025. Desde 2007, a China vem reduzindo sua dependência do carvão mineral. Mas até que ponto o país consegue conciliar a redução de uso do carvão com a sua capacidade produtiva?

Algumas soluções vem sendo discutidas pelo ministro chinês Xi Jinping. Entre elas estão a importação do carvão mineral e o investimento em pequenas mineradoras de carvão no país.

Porém, novamente voltamos a discussão em relação ao uso do carvão e a emissão de poluentes na atmosfera. Será que a recuperação econômica é mais importante que as questões ambientais?

Uma alternativa para essa questão é investir em energias renováveis e limpas, como a eólica, a hidráulica e a solar. A longo prazo, essas energias renováveis vão contribuir para a diminuição da poluição atmosférica e substituir o carvão. Dessa forma, a China cumpriria o acordo e investiria no futuro do país.

A Crise energética na China

A crise energética que vem acontecendo na China é provocada por dois fatores principais:

O primeiro motivo é o empasse da China em cumprir os acordos ambientais e continuar mantendo sua produção. Ao mesmo tempo que o país deve diminuir sua dependência do carvão mineral, deve sustentar o seu consumo de energia.

Como o carvão é a principal fonte energética chinesa e sua produção industrial é muito vasta, o carvão é indispensável nesse processo. Temos aí um grande problema: se o país diminuir o uso do carvão, se tem menos energia.

O segundo motivo pela crise energética na China é o aumento do consumo de energia em escala global devido as mudanças climáticas e à recuperação econômica pós pandemia. Em diferentes regiões do globo, esse ano ficou marcado por temperaturas atípicas.

Na Europa, por exemplo, a primavera foi mais frio que o esperado, exigindo mais uso de aquecedores. Enquanto que na Ásia, o verão foi mais quente, exigindo maior uso de ar-condicionado. Isso refletiu no consumo doméstico, que no segundo semestre desse ano, teve alta e continua a subir.

Além disso, é preciso levar em conta que a pandemia do COVID-19 desacelerou a economia no mundo inteiro, assim como o gasto energético. Mas, com a retomada das atividades econômicas, o consumo de energia do planeta volta a crescer na medida que as industrias voltam a produzir.

Impacto no mercado internacional

Essa crise de energia na China e a flutuação de preços causados pela demanda e oferta pelo gás natural e o carvão, impactam o mercado internacional.

Em primeiro lugar, o preço do barril de petróleo teve aumento de até 40% em 2021. Mais que isso, o preço tem previsão para subir até o primeiro trimestre de 2022. Assim, os derivados do petróleo, como gás de cozinha, diesel e gasolina também têm previsão de sofrer alta nos preços.

Com a falta de oferta e alta demanda pelo carvão por parte da China, o preço do carvão por tonelada aumentou 340%. E isso tende a piorar no mercado mundial, pois os principais exportadores de carvão para a China, a Indonésia e a Austrália, não estão dispostos à negociação.

Além disso, outros produtos que eram exportados pela China também se tornaram mais caros no mercado internacional, como por exemplo os defensivos agrícolas e os agrotóxicos. Isso reflete como um efeito em cadeia, que vai impactar a produção agrícola e consequentemente, a pecuária.

Ou seja, essa demanda por recursos energéticos e o crescimento do consumo de energia, vem provocando uma crise energética não só na China, mas no mundo inteiro.

Como essa crise afeta o Brasil?

Essa crise mundial afeta o Brasil principalmente no aumento do preço da energia. A Agencia Nacional de Energia Elétrica anunciou no segundo trimestre de 2021, um aumento de cerca de 50% do valor por KWh. Isso significa que, além da crise hídrica, o Brasil também é desafiado a lidar com a crise energética.

No Brasil, essa crise chinesa impacta também nos preços do mercado interno. Como o preço dos defensivos agrícolas e dos fertilizantes estão mais caros, os preços dos alimentos vão ficar mais caros, assim como o etanol. O preço do petróleo está mais caro, então, o gás de cozinha também vai ficar mais caro.

Esses produtos fazem parte do consumo diário da maioria da população brasileira. As classes B-,C,D e E vão ser as mais afetadas pelo aumento desses preços. O que antes era acessível a essa população, hoje em dia não é mais. Muitas famílias abandonaram o consumo da carne bovina por conta da alta dos preços, e migraram do gás de cozinha para o forno a lenha.

Portanto, essa cenário não só vem afetando o mercado e as relações internacionais, mas coloca em discussão as soluções para lidarmos com a crise climática e a crise energética. Essas crises também escancaram ainda mais a desigualdade social e a distribuição de renda no país e no mundo, já que a classe baixa é a mais afetada por essa instabilidade dos preços.

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