As políticas cambiais estão entre as principais medidas de controle da economia à disposição do governo. Dessa forma, elas completam a “caixa de ferramenta” do governo junto das políticas fiscais e monetárias.

Antes de mais nada, as políticas cambiais são medidas tomadas relacionando a moeda do país à de outros países. Elas podem tanto ser para “valorizar” a moeda, quanto para “desvalorizar” a moeda em relação à moeda referência.

A moeda referência na maioria das vezes é o dólar. Isso acontece porque ela representa a moeda mais forte da economia mundial, o que significa que ela é a mais estável em relação as demais. 

Outro exemplo de moeda forte é o Euro.

Nesse post vamos te mostrar como as políticas cambiais no Brasil afetam o preço do real frente ao dólar.

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Os instrumentos das políticas cambiais

Desde já, falamos em outros posts sobre as políticas fiscais e monetárias, e quais as suas ferramentas.

Isto é, quais as ações do governo que realmente impactam na economia. No caso das fiscais, temos a política expansionista e contracionista, que falam se o governo vai gastar mais ou menos.  Por outro lado, as políticas fiscais contam com alteração da taxa de juros, alteração da compulsória, entre outros.

Dessa maneira, a política cambial conta com três principais variações:

  • Câmbio flutuante;
  • Câmbio fixo;
  • Banda cambial.

Todas essas variações de política variam também a relação entre o real (moeda corrente do país) com outras moedas.

Os tipos de políticas cambiais

Foram citadas as três variações das política cambiais, e agora vamos explicar uma a uma.

Câmbio Flutuante

O câmbio flutuante é um tipo de política em que o valor da moeda em relação as outras é livre. Ou seja, mesmo que o Banco Central compre ou venda dólar por exemplo, o valor do real em relação ao dólar é dado pela quantidade de dólar da economia.

Isso pode parecer meio complicado, mas é uma espécie de “livre mercado” cambial. Onde o governo não atua diretamente na determinação do valor da moeda frente ao dólar (nossa principal referência).

Câmbio Fixo

Por outro lado, o câmbio fixo é uma política  monetária muito presente em países que sofrem uma grande influência estatal. Nela os bancos centrais determinam quanto  a moeda do país vai valer frente as outras demais.

A principal dificuldade dessa política é que o país em questão necessita de uma grande quantidade de moeda estrangeira. Isso, claro, para sustentar seu câmbio emparelhado à moedas mais fortes, quando esse for o caso.

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Banda cambial

A banda cambial é uma espécie de câmbio misto. O “valor” da moeda corrente é determinado pelo mercado como no regime de câmbio flutuante, mas existem bandas cambiais que regular onde esse valor pode chegar.

Ou seja, existem “máximos” e “mínimos” pré estabelecidos pelo Banco central. Então mesmo que o valor seja determinado pelo mercado, o Bacen age de maneira a manter o valor no intervalo definido.

O que o Brasil está fazendo hoje?

A pergunta que a maioria das pessoas tem feito para os economistas hoje em dia é:

“Porque o dólar está quase chegando aos 5 reais? A economia não deveria melhorar, em vez de piorar?”

Primeiramente, o Brasil possui um regime cambial flutuante. Como vimos na explicação, isso significa que o valor do real em relação ao dólar depende da quantidade de dólar na economia.

Claro que conta com algumas intervenções do Banco Central vendendo e comprando dólar.

Dessa forma, a primeira explicação para a alta do dólar frente ao real é a baixa taxa de juros. O Copom tem reduzido a taxa básica de juros, e a tendência são níveis ainda mais baixos.

Essa ação, mesmo que tenha o intuito de “aquecer” a economia, diminui também o investimento externo no Brasil. Porque como o investimento vai receber menos remuneração de juros, os investidores internacional preferem aplicar seu dinheiro em outro lugar.

Essa diminuição de moeda estrangeira na economia pela redução do investimento faz com que o preço do dólar suba.

O dólar alto é uma vantagem para quem exporta, porque é mais atrativo vender para fora do país. Já quem importa matéria prima tem que pagar mais, e tem que repassar o valor para o consumidor final.

O coronavírus reaparece

Outro fator determinante na alta do dólar é o surto do COVID-19, o coronavirus. Numa situação de incerteza mundial, as pessoas tendem a migrar para moedas mais  fortes como forma de proteger seu patrimônio. Esse é o caso do ouro e do dólar.

Dessa forma o dólar que já estava em trajetória de crescimento em relação ao real, aumentou ainda mais por causa da demanda pela moeda americana.

E aí, o que você achou desse post? Deixa nos comentários o que você acha sobre a alta do dólar.