Nos últimos dias, o arroz ficou mais caro e outros itens da cesta básica dispararam, assustando e gerando duvidas aos consumidores sobre o que motivou esta elevação nos valores. Por isso, o BE decidiu esclarecer as razões deste fenômeno.

Nesse post você encontrará:

IPCA baixo, apesar de alimentos caros?

Sem dúvidas a inflação é um dos principais indicadores que mais aterrorizam os brasileiros, principalmente, aqueles que viveram durante a segunda metade do século XX.

Porém, especificamente neste caso, o IPCA, índice que mede a variação dos preços de diversos produtos, registou um baixo crescimento de 0,7%, em 2020. Em agosto, houve o aumento de 0,24%, sendo a mais elevada para o mês desde 2016.

No entanto, a razão da inflação ter registrado números relativamente baixos deve-se à deflação nos setores de vestuários (-0,78%) e educação (-3,47%). Assim, mascarando a alta nos alimentos (+0,78%) e no setor de transportes (+0,82%).

arroz mais caro

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Mas afinal, o que motivou a alta dos alimentos?

A alta no preço dos alimentos está associada a uma série de fatores, mas a alta do dólar é o principal deles.

Como sabemos, o Brasil é um país agroexportador, portanto a desvalorização do real faz com que as exportações sejam mais lucrativas. Assim sendo, quando o país exporta mais alimentos, a quantidade que permanece dentro dele para consumo tende a diminuir, elevando os preços internos.

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Reforçando um antigo senso comum de que o brasileiro ganha em real, mas consome em dólar, a lei se mostra verdadeira. Visto que os alimentos básicos como arroz, feijão, soja, milho e carnes são precificados conforme a moeda estrangeira.

Nos últimos 12 meses, o dólar subiu 36% frente ao real. Isso resultou em um arroz mais caro em 19,25%. Da mesma forma, o óleo subiu 18,6%, o leite 15,3% e o feijão 12,1%.

Além disso, a retomada econômica chinesa contribuiu para que o país com a maior população do mundo fosse ao mercado internacional em busca de alimentos. As exportações brasileiras cresceram cerca de 300% desde o início da pandemia.

Deste modo, a demanda chinesa vem contribuindo para a diminuição dos estoques de grãos brasileiros. Em relação ao arroz, nos últimos dois anos, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) registrou os mais baixos níveis de arroz armazenado desde 2013.

Ao que aparenta, o Brasil surfa em uma nova onda de demanda chinesa, semelhante a dos anos 2000, quando nos aproveitamos do boom das commodities.

Outro fator determinante, tem relação ao momento de pandemia, o qual contribuiu para o aumento da procura de alimentos pelas famílias, enquanto postergavam compra de bens e produtos não essenciais.

Tendência de permanecer em alta?

Por fim, há pouco a se fazer em relação ao aumento dos preços dos alimentos, pois no curto prazo não há sinais de melhora na valorização do real frente ao dólar.

Em resposta ao arroz mais caro, o presidente Jair Bolsonaro pediu patriotismo aos donos de supermercados, e que reduzissem suas margens de lucros. No entanto, os supermercados estão tão suscetíveis à elevação dos produtos, quanto as famílias.

Outra medida adotada para reduzir o preço para o consumidor, foi zerar o imposto sobre importação de arroz, a alíquota que incidente sobre o produto era de 12%.

Por outro lado, o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, oriundo da agricultura familiar, tem sido uma boa alternativa aos elevados preços dos supermercados.

Dessa forma, além de um preço menor, pode-se movimentar a economia local familiar.

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