A venda de reservas internacionais pelo Banco Central não é novidade no Brasil, esta ferramenta serve para intervir na cotação do real, frente ao dólar, a partir da lógica de oferta e procura, a seguir vamos explicar como isso ocorre.

O que são reservas internacionais e para que são usadas?

Inicialmente, reservas internacionais são um estoque de riqueza líquida emitida em moeda estrangeira, geralmente expressadas em dólares, euro, libra esterlina e iene.

Ainda mais, essas reservas funcionam como uma poupança para o país, a fim de amenizar possíveis turbulências externas, por exemplo, crises cambiais e interrupções nos fluxos de capital para o país.

Sobretudo, no Brasil, que adota o regime de câmbio flutuante desde 1999, essa poupança tem como função frear as desvalorizações cambiais e acelerar a inflação, oferecendo maior previsibilidade ao mercado.

Essas reservas, são administradas pelo Banco Central, investidas, principalmente, em fundos do Bank for International Settlements (BIS), sendo composto por títulos governamentais dos Estados Unidos (Treasury Inflation Protected Securities – Tips), além de títulos governamentais chineses (CNY).

Ademais, a Diretoria Colegiada do BC, é responsável por defiinir as estratégias de longo prazo por meio de uma carteira de referência, chamada de benchmark.

Como se formaram as reservas internacionais?

A partir do ano 2002, durante o governo Lula, foi adotada a política de acumulação de reservas iniciada em 2004, em conjunto dos sucessivos superávits comerciais ocorridos, com um pico em 2006.

Muitos destes superávits foram resultado do boom das commodities e das políticas comerciais brasileiras. Para ler mais sobre, clique aqui.

Em janeiro de 2002, o montante de reservas internacionais era de US$36,2 bilhões. De dezembro de 2003 a dezembro de 2008, o total de reservas internacionais passou de US$49,3 bilhões para US$206,8 bilhões.

Ao final do governo de Lula, o nível de reservas totalizou cerca de 288.575 bilhões de dólares. Após isso, o governo Dilma deu procedência a esse tipo de política, deixando o Brasil com um total de reservas em 2016 no valor de 365 bilhões de dólares.

Evolução das Reservas internacionais
Fonte: FMI e BC

O ciclo externo favorável possibilitou o acúmulo de reservas nas economias emergentes. A combinação entre melhoria na renda dos principais países desenvolvidos e o aumento no preço das commodities gerou ampliação da liquidez internacional.

Assim, nesse período, as economias emergentes beneficiadas pelo cenário promissor, puderam reverter seus déficits em conta corrente e realizar ajustes externos.

Reservas internacionais das economias emergentes | Fonte: Bloomberg

Quais os tipos de operações utilizadas pelo BC?

A princípio, as reservas cambiais são usadas como forma de controlar oscilação do dólar como vimos anteriormente, porem existem três maneiras de vendas desses dólares, veja a seguir:

  •  Venda de dólar à vista:

O BC vende reservas internacionais, sem compromisso de recompra. O dinheiro é injetado no mercado. Contudo, esse tipo de operação não é muito utilizado, para evitar uma queda das reservas cambiais.

A última vez que o BC fez esse tipo de operação foi em 2009, ainda na crise financeira internacional. Todavia, em 2019 essa medida tornou a ser uma opção, devido a conjuntura econômica atual.

  •  Leilão de Linha

Da mesma forma, os leilões de linha são feitos através da venda de moeda norte-americana no mercado à vista, com recursos oriundos das reservas internacionais brasileiras.

Mas, nesse tipo de operação, a moeda estrangeira tem de ser devolvida ao BC nos próximos meses, evitando uma redução das reservas internacionais. Funcionando como um empréstimo.

Durante esses meses, os dólares ficam circulando no mercado, tendem a reduzir a pressão pela alta da moeda, ajudando na queda e oferecendo liquidez onde faltam dólares.

  • Swap Cambial:

Em contrapartida, ao utilizar esse mecanismo, o BC não oferece moeda, mas opera com contratos financeiros, através de “swaps”, “troca” em inglês.

Nessas trocas, o BC se compromete a realizar pagamentos ao investidor às possíveis variações do dólar. Por outro lado, os investidores pagam a diferença da taxa de juros durante o período do contrato.

Entretanto, nos contratos de “swap cambial reverso”, são os investidores que recebem uma taxa de juros. O BC, por sua vez, ganha a variação cambial do período dos contratos.

Contudo, o swap reverso é mais usado quando ocorre quedas bruscas da moeda norte-americana, evitando prejuízo para os exportadores.

Como estão as reservas hoje?

O ano de 2020 tem sido difícil para a economia global, especialmente para economias emergentes, devido às incertezas causadas pela pandemia de coronavírus, agravando a fuga de capital estrangeiro.

Em momentos como esse, os investidores tendem a retirar seus recursos de países mais sensíveis a crises, aplicando-os em economias mais sólidas, como os Estados Unidos.

Segundo o Banco Central, a saída de dólares da economia brasileira, desde janeiro até março, foi deficitária em U$11,35 bilhões. A maior cifra para o período desde 1999.

Com o propósito de evitar uma disparada do dólar ainda mais acentuada, o BC tem vendido boa parte de suas reservas à vista. Esse valor chegou a US$ 25,399 bilhões, em 2020.

De janeiro até o fim de março, a alta do dólar foi de quase 30%.

O Banco Central teve perda acumulada, desde o início do ano de R$50,932 Bilhões nas operações de swaps cambiais.

No ano passado, o Brasil registou uma “queima” de US$ 36,9 bilhões das reservas internacionais. Fechando o ano com US$ 366,1 bilhões  em reservas, ainda considerado ideal, pelo FMI.