Durante a pandemia, os órgãos econômicos do Brasil adotaram várias medidas para melhorar a situação do país. Sendo assim, vários setores e produtos da economia sofreram alterações. Nessa semana, foi a vez da soja e do milho.

Por que a soja e o milho importam tanto?

Antes de mais nada, é preciso ter em mente que o Brasil é o maior exportador de soja do mundo. Dessa forma, a commodity representa grande parte de nossas exportações. A maior, na verdade.

Para termos uma ideia, em 2018 a soja representou 13.7% do total de exportações brasileiras. Já pensou sobre isso? Um único produto, de um único setor, representa mais de 1/10 das nossas exportações. Atrás da soja estão o petróleo e o minério de ferro. 

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Fonte: The Observatory of Economic Complexity

Desse modo, o Brasil, assim como vários setores da nossa economia, são dependentes desse produto.

E o milho?

Por outro lado, o milho é o terceiro produto agrícola mais exportado pelo Brasil. Da mesma forma, é um dos produtos mais importados.

Sendo assim, em 2018 o milho representou 3.64% das importações totais do Brasil. Em 2020, até outubro, nós já importamos 725 mil toneladas do produto. 

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Fonte: The Observatory of Economic Complexity

O que aconteceu com a soja e o milho?

Agora que já falamos sobre a importância dos produtos, podemos entender como uma mudança econômica no país passa por esses setores.

Durante 2020, devido à pandemia, o real brasileiro se tornou a moeda mais desvalorizada do mundo. Com isso, as exportações brasileiras se impulsionaram e, por outro lado, as importações diminuíram.

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Como isso afeta as exportações?

A princípio, com o real desvalorizado, nossos produtos se tornam mais baratos para os consumidores estrangeiros. Dessa forma, os produtores nacionais passam a exportar mais soja, e, dentro do país, a oferta de soja e milho diminui. 

Com a baixa oferta de soja e milho dentro do país, o preço interno da soja aumenta, e o brasileiro passa a gastar mais para consumir a soja e milho. 

Como isso afeta as importações?

O efeito oposto acontece nas importações. Sendo assim, com o real desvalorizado, o preço dos produtos internacionais se torna mais caro para os brasileiros.

Desse modo, nossas importações diminuem, e o brasileiro passa a consumir menos milho (e soja)

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Como o corte dos impostos pode ajudar?

Na última sexta-feira (16), a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão sob o controle do Ministério da Economia, decidiu zerar os impostos de importação sobre a soja e o milho.

A medida visa, principalmente, abaixar os preços internos dos dois produtos. Com o corte das taxas de importação, o milho poderá ser comprado no exterior a um menor preço, assim como a soja. 

No entanto, a medida é temporária. Estender a decisão por muito tempo seria prejudicial, principalmente, aos produtores de soja e milho do país, que receberiam uma onda de concorrência exterior. 

Desse modo, embora o consumidor possa ganhar com os menores preços, o agronegócio brasileiro poderia sofrer grandes baixas ao longo prazo.

Como isso afeta nosso dia-a-dia?

  • Tênis
  • Papel
  • Giz de cera
  • Tapete
  • Cola
  • Óleo de cozinha

Todos esses produtos levam, em sua composição, um mesmo ingrediente: o milho ou, ainda, o amido de milho. Sendo assim, quando o preço do milho aumenta, o preço do amido de milho tende a aumentar. Consequentemente, todos esses produtos também sobem de preço.

Da mesma forma, são derivados da soja:

  • Leite de soja
  • Missô
  • Tofu
  • Hambúrguer vegano

Com isso, é possível perceber que as commodities, como matérias iniciais de várias cadeias produtivas, afetam nosso dia-a-dia. 

Após a medida da Camex, espera-se que esses produtos fiquem mais baratos, e que os consumidores nacionais consigam comprar em maiores quantidades ou, ao menos, gastar menos para consumi-los.

Mais medidas como essa deverão acontecer futuramente, enquanto o real continuar desvalorizado.

Anteriormente, alguns produtos já tiveram suas tarifas de importação zeradas ou diminuídas, como o arroz, que sentiu um grande aumento de preço no segundo semestre de 2020.

E então, entendeu as implicações do corte de tarifas sobre o milho e a soja? Dê seu feedback nos comentários abaixo ou em alguma de nossas redes sociais!

Com informações de Agência Brasil, G1, UOL Economia e Canal Rural.