O governo de Jair Bolsonaro foi eleito no ano de 2018 com a promessa de uma economia de viés liberal, comandada por Paulo Guedes. Porém, em 2020, isso é questionado por parte de seus apoiadores, já que o governo toma medidas na contramão do liberalismo.

Mas, quais são essas medidas?

Vem comigo que eu te explico tudo.

As promessas de campanha.

Antes de mais nada, é necessário saber o que foi prometido em campanha. Todo mundo sabe que o Brasil tem dois problemas econômicos muito fortes: gasta muito e cobra muito imposto. Dessa forma, o governo prometeu diversas reformas para consertar isso.

Assim, muitos liberais se sentiram mais confortáveis em confiar nas medidas do Paulo Guedes, que também é um defensor do liberalismo. Foram prometidos a reforma da previdência, reforma administrativa e a reforma tributária, como as mais importantes.

Bom, elas vieram, mas, para os olhares de um liberal, veio com muitos problemas.

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Os problemas das reformas do governo

Reforma da previdência

Primeiramente, a reforma mais importante de todas, que foi a da previdência. A previdência social do Brasil era o maior rombo do orçamento da União. Se juntasse os gastos com saúde, educação e segurança, não dava o tanto que se gastava com a previdência.

Por isso ela era a mais importante e foi mandada para o Congresso Nacional primeiro. Ela foi bem vista pelos liberais, porém, ela não “atacava” o problema central da Previdência Social do Brasil, o fato de ela ser uma grande pirâmide financeira.

Se quiser saber mais sobre isso, temos um texto que explica o porquê de ela ser uma pirâmide. Clique no botão abaixo.

Dessa forma, para os liberais, faltou o modelo de capitalização na reforma. Esse modelo implica em que o dinheiro que o trabalhador contribui paga a aposentadoria dele mesmo. No modelo atual, a contribuição de um trabalhador paga a aposentadoria dos aposentados de hoje.

Mas, até agora, o Paulo Guedes ainda não era visto como um “traidor dos liberais”.

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Reforma tributária

O problema começou mesmo quando o governo enviou a reforma tributária para o Congresso. Dessa maneira, a reforma ia contra as medidas liberais em que o Ministério da Economia propunha.

Por mais que, de certa forma, a reforma torna os impostos menos complexos, ela faz com que a tributação aumente no Brasil. Um exemplo que ficou bastante conhecido, foi a tributação sobre livros, que antes não existia.

Por outro lado, devido a situação de pandemia que nós vivemos, o gasto do Brasil aumentou muito. Só de auxílio emergencial são 50 bilhões por mês, em média. E isso foi até usado como justificativa.

Porém, para os liberais, essa é uma cadeia sem fim. O aumento de impostos e os gastos do governo se relacionam de maneira proporcional, quanto mais o governo aumenta a tributação, mais ele gasta, e quando ele mais gasta, mais ele aumenta a tributação.

E esse ciclo geralmente é interrompido através de reformas. Mas, essa não está ajudando muito não.

Outro fator foi a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que foi carinhosamente apelidada de “nova CPMF”.

• Veja também: Entenda a proposta de reforma tributária do Paulo Guedes

Reforma Administrativa

Agora, a reforma administrativa veio para fechar esse ciclo de “traição” (para os liberais) do Paulo Guedes. 

A reforma não englobou a elite do funcionalismo público, mantendo todos os privilégios em que ela tem.

Para se ter uma ideia, o Brasil gasta cerca de 15% do PIB com o funcionalismo público. Como esses funcionários têm direito a super aposentadorias, podemos comparar outro fator.

Os salários dos funcionários públicos, mais suas aposentadorias e o INSS equivalem a 85% do dinheiro arrecadado. Ou seja, sobre 15% para saúde, educação, entre outros.

Por isso, essa está sendo vista de maneira muito ruim, já que ela não acaba com os privilégios que faz com que o Brasil gaste tanto com esse setor.

• Veja também: Reforma Administrativa de maneira rápida e fácil

Privatizações

Outro fator que desapontou os liberais foi a promessa de privatizações que não foi cumprida. Paulo Guedes era a favor de privatizar todas as estatais do Brasil, porém, no balanço atual, o governo criou uma estatal, que foi a NAV Brasil, estatal responsável pelo controle aéreo do Brasil.

Assim, até hoje se espera as privatizações do governo.

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Os motivos disso tudo

Apesar de não ter motivos claros para isso, existem algumas especulações. A mais falada é a influência do governo no ministério da economia, visto que a instabilidade política de Jair Bolsonaro afeta as medidas tomadas por Paulo Guedes.

Outro fator determinante é a burocracia que o Congresso Nacional representa, para se ter uma ideia, na Reforma da Previdência o governo pretendia economizar 1 trilhão em 10 anos, e por conta de interferências do Congresso, irá economizar cerca de 800 bilhões.

Assim, para evitar esses confrontos com o Congresso, Paulo Guedes pode estar afrouxando um pouco as medidas.

Dessa maneira, esse pode ter sido o motivo de ele não mexer na elite do funcionalismo. Já na reforma tributária, o motivo pode ser os gastos com a pandemia, já que o déficit desse ano de 2020 pode ser o maior da história do Brasil.

Porém, é importante lembrar que isso são apenas especulações e não uma verdade absoluta.

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