O preço do barril do petróleo caiu mais de 300% nessa segunda (20).

A queda foi tão forte, que os barris de petróleo do tipo WTI (West Texas Intermediate) atingiram valores negativos. Ou seja, os produtores passaram a pagar para quem levasse o barril em maio.

Nesse post, vamos explicar os motivos da queda do preço do barril de petróleo e porque eles estão sendo vendidos a preços negativos.

Disputas entre a Arábia Saudita e Rússia

Desde março uma disputa entre os dois países estava causando uma queda no preço dos barris.

A princípio, a demanda pelo petróleo estava sofrendo retrações devido às ameaças da pandemia do COVID-19. Nesse cenário, Arábia Saudita tentava convencer os países da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) a reduzir o valor do barril para acompanhar a baixa demanda.

Porém, a Rússia se opôs ao corte de produção do petróleo. A oposição da Rússia vinha do entendimento de que com o baixo preço da commoditie, a commoditie iria concorrer com o gás de xisto no mercado internacional de energia.

  • Falamos mais sobre a OPEP e a briga pelo petróleo anteriormente, clique aqui para ler o post!

Acontece que os EUA têm vantagem tecnológica frente o mercado internacional, ou seja, a baixa do petróleo beneficiaria as empresas de xisto americanas.

Diante disso, a Arábia Saudita, que é o principal país exportador de petróleo, anunciou aumento da produção e descontos em barris, prejudicando a Rússia e outros produtores.

Essa foi a primeira queda no petróleo em março, que resultou em 30% de redução do seu preço nos mercados internacionais em março (9).

Queda histórica no preço do petróleo

Após a disputa que  ocorreu em março, foi acordado entre os países que fazem parte da OPEP, que haveria uma redução de 10% na produção do petróleo para acompanhar a retração na demanda.

Dessa forma, a redução previa a diminuição da oferta para acompanhar a desaceleração da economia mundial. Porém,  mesmo com essa redução da produção, a oferta ainda estaria mais alta do que a demanda pela commoditie.

Na segunda-feira (20) o principal índice de petróleo negociado na bolsa de Nova York teve uma queda de 300%, atingindo cotação negativa.

Os contratos que sofreram a queda foram os de WTI, que são comercializados no mercado futuro. Ou seja, os preços negativos significam que os  produtores estavam pagando para quem quisesse receber os barris de petróleo no mês de maio.

Esse acontecimento é explicado pela disparidade entre oferta e demanda pelo produto. Consequentemente, a demanda retraiu tanto, que os produtores não têm mais onde estocar o petróleo produzido até agora.

Dessa forma, o preço negativo significa que o custo de “pagar” para que as pessoas comprem o barril é menor que perder a produção. A produção seria perdida, pois, com a oferta maior que a demanda, os produtores não têm mais local para estocar petróleo.

preço do petróleo

Como isso impacta o Brasil?

A princípio, o impacto da queda do preço do barril vai ser diretamente nas principais petrolíferas do mundo. Isso inclui também a Petrobrás.

Ainda, o impacto sofrido pelo Brasil não é tão forte, uma vez que a Petrobrás negocia seu petróleo em preços Brent, cotação do petróleo exercida pelos setores internacionais. A cotação Brent é diferente da WTI, que se concentra nos Estados Unidos.

Porém, a queda do WTI implica diretamente na queda do Brent, que mesmo sofrendo impactos mais “leves”, ainda sofre com a queda do preço.

  • Clique aqui para saber como a queda do petróleo impacta os combustíveis.

Dessa forma,  podemos apontar a queda nas receitas por causa da queda drástica no preço da commoditie no mercado internacional. Da mesma forma, uma queda sem previsão de recuperação da demanda internacional.

Eventualmente, a empresa brasileira vai ter que se adaptar à queda de arrecadação futura pela venda de petróleo. Por isso, serão necessárias ações de redução dos custos operacionais.

Por outro lado, no orçamento público, o impacto inclui a redução de arrecadação do governo com o setor de óleo e gás. Essa diminuição no orçamento do governo vem num momento crítico, em que a administração pública luta para conseguir amenizar os efeitos da pandemia do COVID-19.