A democracia da Bolívia tem sido posta à prova nas atuais eleições presidenciais, onde há muitas incertezas em torno do pleito.

No último domingo (18), aconteceram as primeiras eleições na Bolívia, após o ex-presidente, Evo Morales, ter sido forçado a renunciar ao cargo.

Falamos sobre isso, anteriormente, nesse post.

Segundo o resultado da pesquisa de boca de urna do Ciesmori, principal instituto de pesquisa da Bolívia, o candidato do MAS (Movimento ao Socialismo), Luiz Arce, teria sido eleito com 52,4% dos votos.

Da mesma forma, a Fundação Jubileo também confirmou a vitória esmagadora de Luis Arce, com 53% dos votos, contra 30,8% do segundo candidato.

A contagem oficial dos votos, no entanto, só deve sair nos próximos dias e precisa ser autentificada pelo tribunal eleitoral boliviano.

Até o meio-dia desta terça-feira, 61,47% das atas haviam sido computados. Arce liderava com 50,25% dos votos, seguido por Carlos Mesa, com 31,81%. Ainda mais, a vantagem deveria dar a Arce a vitória em primeiro turno.

Contudo, apesar de haver apenas a divulgação da pesquisa boca de urna, os adversários políticos de Arce reconheceram a vitória eleitoral do socialista.

Do mesmo modo, a Organização dos Estados Americanos (OEA), através de seu secretário-geral, Luis Almagro, parabenizou ao presidente recém eleito e exaltou a democracia Bolívia.

Mas afinal, quem é Luiz Arce?

De perfil moderado, Luis (Lucho) Arce Catacora, 57, é um economista, professor e ex-ministro de Economia e Finanças da Bolívia,

Nascido em 1963, em La Paz, capital boliviana. Arce formou-se em economia pela Universidad Mayor de San Andrés e tornou-se mestre pela Universidade de Warwick, no Reino Unido.

Após isso, retornou à Bolívia para exercer cargos técnicos dentro do Banco Central. Passando também a ministrar cursos como professor convidado na Universidad de Buenos Aires, assim como Harvard e Columbia, nos EUA.

Desta forma, Arce assumiu as finanças do país em 2006, junto à eleição de Evo Morales. Enquanto atuou como ministro, afastou-se do cargo apenas uma vez para tratar de um câncer renal em 2017.

Eleições na Bolívia: quem é Luis Arce, ex-ministro de Evo Morales apontado  por projeções como novo presidente do país - BBC News Brasil
Luís Arce e Evo Morales

Em sua gestão como ministro, Arce foi associado ao crescimento econômico, mantendo a média de 5% ao ano, além do controle da inflação e aumento das reservas internacionais.

O que causou a crise institucional boliviana?

De antemão, para entendermos a atual crise perpassada pelos bolivianos, precisamos entender os impactos políticos do ex-presidente Evo Morales, o padrinho político de Arce.

Evo governou a Bolívia por três mandatos consecutivos, de 2006 a 2019. Enquanto esteve no poder realizou reformas estruturais, nacionalizou a exploração de petróleo e de gás natural e surfou na onda do “boom das commodities”.

Como resultado das altas exportações, o governo boliviano adotou medidas de distribuição de renda, com ambiciosos gastos sociais. Assim, conseguiu reduzir a desigualdade e diminuir o percentual da população abaixo da linha da pobreza de 63% para 35% entre 2005 e 2018.

A derrocada do primeiro presidente de origem indígena a ser eleito no país começou em 2016, quando Morales desrespeitou o referendo popular que tratava sobre sua quarta reeleição.

No entanto, a população boliviana recusou o referendo, que tratava sobre reeleições indeterminadas. Todavia, Evo conseguiu se candidatar à presidência em 2019, o que desencadeou uma crescente desconfiança no sistema eleitoral.

O líder sindical, que sempre gozou de grande popularidade, conseguiu se reeleger em primeiro turno, para este que seria seu quarto mandato. Mas, a oposição e setores da classe média urbana do país alegaram haver suspeitas de fraude nas eleições.

A suspeita das eleições terem sido fraudadas foi endossado por um equivocado relatório da OEA. O relatório, por sua vez, foi revisado e concluiu-se ter havido um erro dos analistas.

Com a escalda de protestos, a permanência de Evo Morales como presidente da Bolívia teria ficado insustentável. E, em 10 de novembro, 3 semanas após ter sido eleito, Evo foi deposto pelos militares e exilado no México.

Retomada à democracia?

De fato, as eleições na Bolívia deste ano vêm sendo completamente atípicas, principalmente pela ausência do principal ator político do país. Esta é a primeira eleição sem a participação do ex líder sindical em 20 anos.

Com isso, haviam muitas suspeitas se o resultado do pleito deste domingo seria respeitado pelos candidatos. Contudo, o que vem se mostrando é o reconhecimento da volta do MAS ao poder, mesmo após ter sido derrubado há pouco menos de 1 ano.

Pela frente, este que encaminha a se tornar o próximo presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, encontrará grandes desafios. Principalmente na retomada da economia após crise causada pelo Coronavírus. Segundo o FMI espera-se uma retração de 6% no PIB boliviano.

Além disso, a Bolívia viu suas contas públicas se deteriorarem, em 2018, o déficit publico chegou a 8,3% do PIB. Assim como o Brasil, o nível de endividamento também vem crescendo, que passou de 36,8% do PIB em 2008 para 53,8% em 2018.

Caso se confirme, Arce assume um país polarizado, com diversos conflitos de interesse presente e grave crise econômica, não será uma tarefa fácil.

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